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O Espírito Santo e a crise




Por: Orlando Caliman ( economista )

Toda crise mexe nas posições relativas dos mercados de produtos e serviços e, conseqüentemente, dos atores econômicos que os operam. Isso significa dizer que as crises fazem mudar as regras do jogo. E a intensidade das mudanças depende naturalmente da sua profundidade. Algumas delas podem até mudar trajetórias de crescimento, tanto no sentido positivo, quanto negativo; podem dizimar setores, como também podem fazer emergir novos ou soerguer antigos. É com base nessas possibilidades que podemos avaliar a economia do Espírito Santo diante da crise atual. Mas, de antemão, afirmamos que não teremos mudanças de trajetória; apenas ajustes temporários.

Assim como vamos encontrar setores fortemente impactados, e de forma negativa, outros poderão estar \"plantando\" para colher frutos mais à frente. Nossa economia está fortemente assentada na produção de produtos do tipo \"commodities\", e para exportação, que são mercadorias tidas como especiais, pelas suas características e pelos mercados que atendem. São produzidas em grande escala, por grandes empresas, e compradas também em grandes proporções, por grandes conglomerados econômicos. Além de serem altamente sensíveis às crises, tais mercadorias estão sujeitas a um intenso jogo de forças de mercados, muitas vezes um verdadeiro cabo-de-guerra\". É o caso, por exemplo, das commodities metálicas – minério de ferro e aço. Empresas que produzem esse tipo de commodity tendem a recorrer ao ajuste da oferta – quantidade produzida –, em detrimento do preço, como forma de aliviar os efeitos da crise. E foi exatamente essa a estratégia adotada pela Vale e pela ArcelorMittal Tubarão: reduzir a produção. No caso da celulose repete-se a estratégia.

Tais movimentos revelam decisões de produção, cujos impactos serão sentidos através da redução da demanda por serviços, insumos e matéria-prima. Disso resultam naturalmente perdas de postos de trabalho e menor movimentação de negócios em geral. No entanto, e para a felicidade dos capixabas, e até paradoxalmente, novas oportunidades de investimentos e negócios estão surgindo no Estado, principalmente na área de gás e petróleo. Esse movimento positivo poderá neutralizar os impactos negativos que acontecerão por conta do desaquecimento da demanda por commodities e de outros setores, como o de mármore e granito, que passam por sérios problemas conjunturais de demanda.

No caso do gás e petróleo a desaceleração dos investimentos no pré-sal por conta da queda dos preços do petróleo poderá induzir a uma aceleração dos investimentos em exploração na costa capixaba, mais conhecida, menos custosa e mais acessível. Por outro lado, investimentos já estão em curso no porto de Barra do Riacho, na implantação de um estaleiro e um terminal de carga liquida da Transpetro. Somente o estaleiro deverá gerar algo em torno de cinco mil empregos.

A Vale, de olho na saída da crise, manterá os seus investimentos no litoral sul, com a ferrovia litorânea, com o porto de Ubu e com a siderúrgica, em parceria com a Baosteel. No momento esses investimentos são importantes e estratégicos para a sustentabilidade do crescimento e desenvolvimento do Estado.




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